Sabe como se chama a letra "q" em espanhol?
Pois descubra antes de ler esse poema.
Porque, por mais que se entenda de letras,
Letras traduzidas não sempre são as mesmas letras.
Pense no "q" (em espanhol)estando fechado,
E na dor que isso pode resultar.
Pense no "q" (em espanhol) aberto,
E no alívio que isso pode significar.
Já que o "q" (em espanhol) sempre é tema de discussão,
Pense no "q" (em espanhol) como sendo uma solução.
Não há "q" (em português) sem "q" (em espanhol),
Como não há "q" (em espanhol) sem tesão.
Deixe aflorar seu "q" (em espanhol),
Antes que um "q" (em português)
Comece a florir.
Mais vale a doce sensação de fazer o que gosta
Que ter um "q" (em espanhol) que nunca poderá sorrir.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
NA FONTANA DI TREVI ATÉ EU PERCO O TEMOR DE SORRIR
VERSOS BRANCOS - 2Não pense,
Amor meu,
Que uso a poesia fácil
Para corromper teus anseios.
É que,
Tal e qual nos amores,
Cada palavra,
Quando está num poema,
Bem mais freqüentes vezes do que se imagina,
Acaba buscando sua própria rima.
Por isso,
Quando encontres um verso
Que se possa classificar
De “rima pobre”,
Não culpe o pobre poeta
Que talvez,
E só talvez,
Pensou tratar-se o amor,
Não de apenas carne,
E sim de um sentimento mais nobre.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
UM POEMA SEM IMAGEM
ENTRE A LUZ E A ESCURIDÃO
Pérfida luz que me esconde as sombras.
Por que ocultar-me o assombro desse não-ver?
Não, não é a cegueira que me atrai.
Ao contrário.
O que mais me encanta é a surpresa,
A descoberta,
A inadvertência daquilo que quase se vislumbra.
Sair da sombra pode ser interessante.
Mas mostrar-se à meia-luz instiga muito mais.
Adivinhar ilumina por dentro,
Enquanto desvendar-se pode ser apenas ilusão.
Enquanto caminho por entre as árvores
Talvez perceba um leve sinal de companhia.
Ao sair do bosque pode ser que caia na conta
De que sempre estive em solidão.
À noite os sentidos estão mais aguçados.
De dia é muito fácil enganar-se.
Enquanto a penumbra mostra teu “outro ser”
O mais real caminha na escuridão.
Por isso evito essa luz.
Longe de mostrar-me a verdade,
Pode ludibriar-me os sentidos.
De ribalta basta a vida,
De sentidos compreende melhor a alusão.
Pérfida luz que me esconde as sombras.
Por que ocultar-me o assombro desse não-ver?
Não, não é a cegueira que me atrai.
Ao contrário.
O que mais me encanta é a surpresa,
A descoberta,
A inadvertência daquilo que quase se vislumbra.
Sair da sombra pode ser interessante.
Mas mostrar-se à meia-luz instiga muito mais.
Adivinhar ilumina por dentro,
Enquanto desvendar-se pode ser apenas ilusão.
Enquanto caminho por entre as árvores
Talvez perceba um leve sinal de companhia.
Ao sair do bosque pode ser que caia na conta
De que sempre estive em solidão.
À noite os sentidos estão mais aguçados.
De dia é muito fácil enganar-se.
Enquanto a penumbra mostra teu “outro ser”
O mais real caminha na escuridão.
Por isso evito essa luz.
Longe de mostrar-me a verdade,
Pode ludibriar-me os sentidos.
De ribalta basta a vida,
De sentidos compreende melhor a alusão.
domingo, 2 de dezembro de 2007
UM POEMA MEIO SAFADO...
OLHOS DE MACHO
Se não me mirasses com esses olhos de macho
Seria mais fácil resistir.
Terríveis olhos de lince.
Descobrem meus desejos e meus medos.
Jogam com minha insegurança
E se aproveitam da minha respiração ofegante
Para acabar de me invadir a alma.
Se não me mirasses com esses olhos de macho
Talvez eu pudesse escapar,
Disfarçar,
Me dividir.
Mas não...
Ao tentar enfrentar
Esse olhar tão masculino
Fraquejo,
Tremo
E me entrego.
Sei que esses olhos de macho
Podem me trair os sentidos.
Mas sei também que esses olhos
Guardam a essência do que é belo,
Viril e comprometido com o prazer.
Sei que esses olhos de macho
Talvez não atravessem a manhã entre meus lençóis
Mas sei também que deixarão a promessa
De outra invasão,
De outros deleites.
E quando reconhecer em outro alguém
Esses olhos de macho,
Poderei ter,
Como mínimo,
Uma boa lembrança.
Se não me mirasses com esses olhos de macho
Seria mais fácil resistir.
Terríveis olhos de lince.
Descobrem meus desejos e meus medos.
Jogam com minha insegurança
E se aproveitam da minha respiração ofegante
Para acabar de me invadir a alma.
Se não me mirasses com esses olhos de macho
Talvez eu pudesse escapar,
Disfarçar,
Me dividir.
Mas não...
Ao tentar enfrentar
Esse olhar tão masculino
Fraquejo,
Tremo
E me entrego.
Sei que esses olhos de macho
Podem me trair os sentidos.
Mas sei também que esses olhos
Guardam a essência do que é belo,
Viril e comprometido com o prazer.
Sei que esses olhos de macho
Talvez não atravessem a manhã entre meus lençóis
Mas sei também que deixarão a promessa
De outra invasão,
De outros deleites.
E quando reconhecer em outro alguém
Esses olhos de macho,
Poderei ter,
Como mínimo,
Uma boa lembrança.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
PARA QUE NAO SE PERCA A FRESCURA DA IMAGEM
Rompe o silêncio de minh’alma
E escuta o eco dos teus anseios.
Deixa que eu escute tua voz,
Teus sussurros...
Teus gemidos.
Faz com que todos os sentidos
Adquiram um sentido menos exato.
Esqueça as regras da gramática,
Perca a noção de nexo
E se entregue à capacidade,
Que todos temos,
De ser puramente
Sensação.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
RODA OU ENGRENAGEM? EM QUAL VOCÊ SE ENQUADRA?
A roda pode se movimentar sem ajuda.
A engrenagem necessita seu par (ou mais).
Enquanto a roda gira sozinha
E sozinha pode fazer o mundo girar
A engrenagem se apóia,
Ou se esforça para apoiar,
Gira o “outro”
E pode fazer o Universo se transformar.
As imperfeições da engrenagem
Se tornam perfeitas na adaptação.
Se há uma perfeita acoplagem
Entre o que ressalta e o que não,
É necessário que se "casem"
Para chegar à perfeição.
Se gira a roda tão só
Girar a engrenagem é que não.
Entretanto quando giram as engrenagens
Movem um eixo em qualquer direção.
As maiores podem levar mensagens,
As menores potência dão.
E até giram rodas as engrenagens,
O contrário é que não.
Há pessoas-engrenagem
Que necessitam seu par para por em marcha a vida.
Há pessoas-roda
Que caminham sós e ainda assim se realizam.
Qual das duas têm uma vida melhor?
Quem sabe...
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
DA SÉRIE GRANDES HERÓIS: A MULHER-CEBOLA
A MULHER-CEBOLA
Não sabe quando foi a primeira vez
Que colocou uma capa
Essa mulher.
Mas sabe que funciona como escudo,
Contra todos,
Contra tudo.
Sabe que a cada nova sensação
Utiliza como proteção
Uma nova capa.
A cada nova ferida
Não se dá por vencida
E coloca outra capa.
E, se o ferimento se renova
Não é a mesma capa que prova
E sim uma nova capa.
A cada capa que arranca
Outra capa aparece
Ao se despir essa mulher.
Chorar não é questão de mostrar-se
Talvez nem por desejo seja.
Talvez só seja uma fase
Entre a que te fere e a que te beija.
Poucos sabem o que se passa
Ao sacar dessa mulher todas as capas.
Ao chegar ao centro e descobrir
Que já se perdeu há muito seus mapas.
Já que não há uma direção a seguir
Para chegar perto de sentir
Qual o poder que se esconde
Por debaixo dessas inúmeras capas.
Não sabe quando foi a primeira vez
Que colocou uma capa
Essa mulher.
Mas sabe que funciona como escudo,
Contra todos,
Contra tudo.
Sabe que a cada nova sensação
Utiliza como proteção
Uma nova capa.
A cada nova ferida
Não se dá por vencida
E coloca outra capa.
E, se o ferimento se renova
Não é a mesma capa que prova
E sim uma nova capa.
A cada capa que arranca
Outra capa aparece
Ao se despir essa mulher.
Chorar não é questão de mostrar-se
Talvez nem por desejo seja.
Talvez só seja uma fase
Entre a que te fere e a que te beija.
Poucos sabem o que se passa
Ao sacar dessa mulher todas as capas.
Ao chegar ao centro e descobrir
Que já se perdeu há muito seus mapas.
Já que não há uma direção a seguir
Para chegar perto de sentir
Qual o poder que se esconde
Por debaixo dessas inúmeras capas.
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