segunda-feira, 18 de setembro de 2017

RETRATO FALADO - TONY PEPPE

ORGASMICAMENTE PERFEITO

Há quem diga que sou nobre,
Que brinco de alegria ou de tristeza,
Que não diferencio rico de pobre,
E que não me guio pela simples beleza.

Tudo isso é verdade
E mais verdade ainda é minha audácia.
Detesto a burrice e a iniquidade
E sou contra toda falácia.

Me ligo em tudo que dá prazer,
Por isso minha vida é orgásmica,
Não venha você me dizer
Quem é a estrela midiática.
Não vou gastar meu sorriso só pra ver
Tanta gente fingindo ser simpática.

Danço, canto e rebolo, sim, meus queridos
E chamo de amor quem eu bem entender,
Por isso não se assuste se vierem aos gritos,
Muitos bradando “Tony é o poder!”

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MARIA DE LURDES

CUNHADO (A) NÃO É PARENTE

Cunhado não é parente. Taí uma verdade que eu gosto sempre de repetir.
Entretanto um cunhado (a) acaba criando vínculos que muitas vezes vão além do parentesco. Ele (a) se relaciona com seu irmão (ã) diariamente e se seu vínculo com o irmão (ã) é forte, tende a criar uma relação intensa também com este não-parente. Logo virão os sobrinhos, os parentes dos não-parentes e toda uma fauna humana que pode ser deliciosamente sociável, ridiculamente agradável ou simplesmente insuportável.
Há casos mais delicados em que o cunhado (a) não-parente acaba se tornando até mais próximo que o seu cônjuge, formando aquilo que todos chamamos de “a família que escolhemos”. Nesta família cabem todos: parentes, amigos, cunhados, cunhadas e todos aqueles que merecem nosso carinho e respeito.
Há alguns dias perdi um destes não-parentes que faz parte da família que escolhi para mim.
A Maria de Lurdes não é só a mulher do meu irmão ou a mãe dos meus sobrinhos, nem apenas a avó dos meus sobrinhos-netos. Ela é uma luz que continuará brilhando em minha vida física e também em energia, quando eu coabitar a dimensão dos anjos ao seu lado. O brilho de seu olhar, a doçura de sua voz, a simpatia de seu sorriso e a honestidade de seus atos, seguirão povoando minhas memórias para sempre.
Não, Lurdes, você não partiu pura e simplesmente para outra dimensão. Hoje nós compartilhamos com os anjos a sua presença. Claro, eles estarão mais felizes, já que te têm em toda a plenitude. Nós, por enquanto, temos que nos contentar com as lembranças e com alguma fortuita visita em algum sonho, em um soprar de brisa, em um vislumbre da eternidade que agora rima com teu sorriso. Se neste momento, ouvirmos algum farfalhar de asas, algum riso tão infantil quanto verdadeiro, uma voz de alento, um simples suspirar de felicidade, saberemos que você continua a velar por nós, do mesmo modo que velamos tua memória.
Até sempre, amiga, e que os anjos te recebam de asas abertas!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ANGELS

PRIMEIRO BEIJO ENTRE ALFREDO E NOAH

Alfredo suspirava aliviado, enquanto a bexiga se esvaziava lentamente. Havia uma caixa de som no banheiro e ele seguia a música, tentando cantar baixinho, sem entender o que a letra queria dizer. Sua noção do idioma inglês era demasiado básica para que pudesse compreender a mensagem transmitida pela canção:
I sit and wait
Does an angel contemplate my fate
And do they know
The places where we go
When we're grey and old
'Cause I have been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel the love is dead
I'm loving angels instead

Alfredo não percebeu quando Noah se aproximou, repetindo a letra, baixinho. Pensou que sonhava quando a voz foi soprada diretamente em seu ouvido e a respiração do amigo aqueceu aquele recanto entre a orelha e o pescoço. Seu corpo se arrepiou quando parou de urinar, como se um anjo tivesse escaneado seu corpo – ou seria pelo hálito quente do arquiteto em sua pele? – Fechou os olhos, sonhou com os lábios de Noah e, quando sentiu os braços enlaçando-o por trás, entregou-se aos devaneios impossíveis. Deu a volta, sem ousar abrir os olhos, e entregou seus próprios lábios, como quem dedica uma parte de si para manter alguém que ama respirando.
A língua macia de Noah aventurou-se por entre os dentes de Alfredo, abrindo caminho, buscando saliva e espalhando prazer. Passaria ali o resto da noite se fosse preciso. Apertou o corpo do jovem estoquista contra o seu e sentiu o sexo do outro crescendo entre suas pernas. Abriu os olhos para mergulhar naquele abismo escuro e sedutor do olhar de Alfredo e finalmente conseguiu se afastar apenas o suficiente para sussurrar:
– Vamos embora daqui?


terça-feira, 27 de junho de 2017

PIJAMA

PIJAMA
(para Oscar – assim mesmo, sem sobrenome. Ele vai se reconhecer)

Na constelação de Órion
Já soou o alarme.
Nem precisa fazer alarde
Do que eu gostaria de fazer.
Não há lua cheia que encubra
Meu olhar de prazer.
Talvez apenas Alnitak, Alnilam ou Mintaka descubra
Aquilo que tenho reservado pra você.

No Equador Celeste
Órion é um par de corpos em conjunção.
Não preciso fazer alarde,
Não preciso me esconder.
Sabemos que cedo ou tarde
Alnitak, Alnilam e Mintaka
Me farão despir minha pele
Pra finalmente eu me vestir de você.

Você diz que está em minhas mãos,
Eu digo que estou nas tuas.
Que finalmente Alnitak, Alnilam e Mintaka
Revelem nossas peles nuas.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

MUITOS TONS

MUITOS TONS

_ Só tenho meia hora!
Ela não se surpreendeu. Recebeu-me com o mesmo sorriso e me convidou a entrar.
_ Vamos fazer esta meia hora render! _ Contestou.
Seus olhos brilhavam com a expectativa de me subjugar e fazer com que me rendesse aos seus pés.
Fez-me deitar ali mesmo, na varanda, e estirar músculos e nervos, já antevendo que eu realmente sofreria em suas mãos nos trinta minutos seguintes.
A cada urro meu regozijava-se ela! A cada novo toque, nova sensação de pujança! A cada intervalo neste pega e afrouxa um momento de delírio e êxtase que não chegava a ser um “quero mais”, mas um “estou chegando ao meu fim” talvez.
Suávamos os dois. Eu, obviamente, muito mais que ela, pois, entre subidas e descidas, gemidos e gritos, me extenuava a cada nova estocada.
Ela não se dava por satisfeita. Parecia querer me ver acabado, sem forças para voltar para casa. Parecia desejar ardentemente que eu esgotasse ali, em sua varanda, toda a energia de que dispunha e não economizasse nada para o que viria depois.
Era perspicaz, inteligente e visceral. Quando via que eu esmorecia me incentivava com um "estamos quase lá" ou um "você hoje está foda".
A meia hora se esgotou e ainda não tínhamos chegado ao fim. Ela se estendeu propositalmente, eu sei, para aumentar meu sofrimento e minha agonia, ante a possibilidade de um anticlímax que poderia ser fatal para esta relação dominadora/dominado.
Quando finalmente acabamos fugi dali, com as pernas ainda bambas, os músculos latejando e o corpo todo entregue à débil agonia do dever cumprido.
Cheguei em casa prometendo a mim mesmo nunca mais falar para minha personal training que a aula de funcional, que normalmente faço em uma hora, deveria fazer em apenas trinta minutos.

Para minha teacher Maryel Boff


segunda-feira, 5 de junho de 2017

UM MENINO

UM MENINO

O menino olhou para o mundo e sorriu.
Não haveria no mundo, mundo mais lindo que o seu.
Seu mundo estava cheio de luz, bichos e flores.
Encontrou uma centopeia e disse a ela:
“Bom dia, centopeia!”
Ela seguiu seu caminho e ele continuou sorrindo,
Afinal, tinha desejado um bom dia a uma centopeia
E ela, continuando em seu caminho, com certeza,
Era a forma de dizer a ele:
“Bom dia, menino!”
Levantou uma folha e se surpreendeu.
Debaixo da folha se protegiam centenas de formiguinhas.
Devolveu a folha ao seu lugar com todo cuidado.
“Ninguém deve tirar o teto de ninguém”,
Pensou o menino.
Alegrou-se ainda mais o menino
Ao ver uma borboleta pousando aqui e acolá.
“Tão bela é a borboleta”,
Admirou-se o menino,
“E ainda é leve como o ar.”
Mal sabia o menino que, mais leve que a borboleta,
Era o seu pensamento,
Espelho dos olhos vivazes,
Que fazia com que seus sonhos fossem capazes
De para bem longe fazê-lo voar, voar, voar...

terça-feira, 16 de maio de 2017

Apropiaciones e Imperfecciones

"Cuando pensamos en los distintos sentimientos que experimentamos en la vida solo me viene a la cabeza uno que se auto define en una palabra: amistad. El amor lo sentimos de muchas formas e intensidades. Amamos a la familia, a la naturaleza, a los animales, a nuestra pareja. Sentimos rabia hacia la injusticia, la injuria, la corrupción. Pero la amistad es la amistad y punto. Por eso siempre pienso el arte como la amistad. Arte es arte y punto. Puede ser llamada de fea, de agressiva, de sublime, de transcendental. Es siempre arte. No existe arte falsa, como no existe falsa amistad. Y cuando me preguntan cuál de estas palabras define a Leo Macias, yo digo: ninguna de las dos. Aunque cuando pienso en Leo siempre me viene a la cabeza nuestra amistad y su arte, sé que Leo es mucho más que eso. Para mi la palabra que define a Leo Macias es Universo y el Universo Leo Macias está plagado de amistades y de arte, y sé que tanto a uno cuanto a otro Leo jamás volverá la espalda. Hoy os invitamos a conocer la exposición Apropiaciones e Imperfecciones y a zambullirse en este Universo Leo Macias, en su obra que es como la vida misma: instigante, sensorial, imperfecta y apropiadamente bella." Mario de Lima

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