segunda-feira, 25 de junho de 2007

QUASE TRÊS RUGAS


QUASE TRES RUGAS

De cada lado do olho
O arado do tempo já sulcou a pele.
Os frutos,
Que estranho,
Já maduraram
Antes de colocar a semente.
Os cabelos,
Que já são mais de inverno que de primavera,
Caem fartos...
Ou caem de fartos?
Tudo são prosódias.
Tudo é falácia.
Tudo esquenta antes do tempo
E derrete igual de temporão.
Por que pensar na idade
Se é mais fácil ignorá-la?
E porque ignorá-la
Se é tão bom pensá-la?
Antes frio
Que mal aquecido.
Antes ao entardecer
Que tarde.
Foi tão fora que soprou essa brisa
Que aqui dentro
Essa absurda calmaria
Provoca mais tédio
Que apreensão.
Será que já há sulcos na pele?
Ao lado do nariz ou saindo do vinco dos olhos?
Será que na testa já tem rugas de expressão?
Ou será que toda expressão está por chegar?
Será que o suor ainda corre em linha reta para baixo
Ou percorre os rios horizontais antes de transbordar?

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

BARCELONA É TUDO


BARCELONA É MAIS QUE UM PORTO
Para: Zélia Bastos


Vago pelas noites, Barcelona.
Meu corpo é mais que sólido, líquido e ar.
Vago sem rumo, sem objetivo, sem norte.
Vago pelas ruas da velha cidade
Como quem busca o que sempre soube achar.
Quem já perdeu o que nunca quis
Porque tentar de novo encontrar?


Vago pelas ruas, Barcelona,
Sem querer ao menos encontrar.
Sigo as luzes em busca do nada,
Sigo um nada que não me pode justificar.
Como quem,
Desconectado da ausência,
Insiste na presença como se fosse ancorar.
Como se âncora do nada fosse a existência
Como se a existência do nada pudesse se auto-explicar.

Vago pela luz, Barcelona
Em busca do escuro da sabedoria.
Como quem tenta
Num primeirúltimo esforço
Das águas da vidência se libertar.
Como se fosse fácil,
Depois da tempestade,
Um porto seguro encontrar.
Como se não fosse último
Esse olhar que se perde no mar.
Como se a beleza das coisas que não existem
Fosse maior que a inteligência dos que buscam
O que, sabem, nunca poderão encontrar.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

CAMP NOU: BARCELONA X SEVILLA


FUTEBOL



O futebol é um esporte de machos
Para machos
Que não gostam de outros machos.

O futebol é um esporte para machos
Que não gostam de machos
Que gostam de outros machos.

O futebol é um esporte
Que gostam os machos
Que não gostam dos machos
Que gostam de outros machos.

O futebol é um esporte de machos
Que gostam de outros machos
Que gostam de machos
Que olham para outros machos.

O futebol é um esporte para machos
Que gostam de ver outros machos
Que gostam de machos.


O FUTEBOL É GAY!!!!!!!!!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

SEM TITULO


SEM TÍTULO


Esta página em branco,
esperando por umas palavras
que expressem alguma idéia ou pensamento
me assusta...
Assim como me assusta ter a cabeça em branco,
ter um dia que parece que vou passar em branco,
ver meus dias passados em branco
e sentir o branco de uma ausência que eu nem sei de quem...
Que dorzinha mais chata essa
vinda sabe lá de onde,
forçando um pensamento, uma nostalgia,
uma saudade sem sentido.
Que agulhada é essa que incomoda e perturba
mas que não mostra um caminho a seguir.
Cobra uma decisão
mas não dá nenhum indício de saída...
Preferia ter um dia negro
com uma dor profunda que mostrasse sua cara,
que me apertasse com força contra a parede
e me fizesse desesperar.
Só as dores violentas
provocam uma reação contundente.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

PROJETO DE VIDA


CORTA-ME UMA ORELHA


Vagas são as promessas quando flutuas,
Assim como vagas tu pelas ruas.
As vagas promessas nuas
Não são tão vagas, mas são tuas.

Vagas marés de esperança,
Virtudes, partidas, chegança.
Vagos rodopios, tardança
De uma inútil e velha criança.

Primeiro foram as gotas na telha
Despertando uma sutil centelha,
Do meu sexo numa história velha
A cochichar dentro da minha orelha.


Não são poucos os sexos,
Nem todos são ricos em nexos.
Mas são únicos os plexos
Que se ajustam os côncavos aos convexos.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

ESCOLHAS


ESCOLHAS


Entre a claridade e o esplendor
Escolha sempre o brilho tênue da aurora.
Pode te iluminar a vida
Sem cegar tu’alma.

Entre o brilho cego de uma promessa
E a certeza de uma paz infinita
Opte pela possibilidade
Porque, se falha, não é por estar tão próxima.

Entre o certo e o errado
Permita-se a dúvida.
Qual certeza maior
Que saber que tudo nessa vida é relativo?

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

POEMAS DE AMOR E MELANCOLIA PARTE NÃO SEI CUANTAS


VERSOS BLANCOS


Te fuiste para siempre
Insistiendo que la vida es demasiado corta.
Te fuiste repisando que mis poemas no rimaban,
Que era prosa lo que yo llamaba de poesía.


Te fuiste huyendo por una brecha de mi pasado.
Sin dejar huella,
Pero olvidando tu perfume,
Que todavía impregna mi alma.


Yo no querría pensar en añoranza,
Porque se que tu tampoco lo piensa,
Pero mi poema sin rima
Reclama a gritos tu presencia.


… ups… “casi” cometo una rima.

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