segunda-feira, 25 de junho de 2007

QUASE TRÊS RUGAS


QUASE TRES RUGAS

De cada lado do olho
O arado do tempo já sulcou a pele.
Os frutos,
Que estranho,
Já maduraram
Antes de colocar a semente.
Os cabelos,
Que já são mais de inverno que de primavera,
Caem fartos...
Ou caem de fartos?
Tudo são prosódias.
Tudo é falácia.
Tudo esquenta antes do tempo
E derrete igual de temporão.
Por que pensar na idade
Se é mais fácil ignorá-la?
E porque ignorá-la
Se é tão bom pensá-la?
Antes frio
Que mal aquecido.
Antes ao entardecer
Que tarde.
Foi tão fora que soprou essa brisa
Que aqui dentro
Essa absurda calmaria
Provoca mais tédio
Que apreensão.
Será que já há sulcos na pele?
Ao lado do nariz ou saindo do vinco dos olhos?
Será que na testa já tem rugas de expressão?
Ou será que toda expressão está por chegar?
Será que o suor ainda corre em linha reta para baixo
Ou percorre os rios horizontais antes de transbordar?

5 comentários:

Milena Britto Barbosa disse...

Meu querido, esse poema ficou completamente atual!!!! Nos convida ao mesmo tempo para uma reflexao profunda e tambem brinca com o tempo nos deixando bem leves para a Vida. PARABENS!!!! BEijos e saudades. Mila Rabelo - Paris

Reginaldo Pinho disse...

Acho que as minhas quase tres rugas estão chegando!
Lindo ... como vc!
Seu fã e amigo e ... Reginaldo.

Anônimo disse...

Estimado Mario,

Parece que los temas de la edad y de las arrugas te han pinchado..... Pincha a todos... Seguramente... Pero duele menos , mucho menos, si vivimos el tiempo con plenitud, con intensidad... Y las arrugas ni serán notadas, cuando la luz de nuestra mirada (que viene del alma) sea mucho mas brillante...
Beso.

Anônimo disse...

Marionelson,

Que bom ler teus poemas. Gostei desse e gosto muito de todos. Vale a pena esperar 4 meses para receber esse presente...!!!! Muchas gracias !!!!

Alex disse...

Mário,

Muito bom o poema, rapaz! O tempo pode ter duas caras: amigo ou enemigo, mas tudo depende de como o vemos e de como nos relacionamos com ele.

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