sábado, 16 de fevereiro de 2019

CORREIO SUL E TERRA DOS HOMENS

Acabei de ler dois livros de Antoine de Saint-Exupéry.
Confesso que antes de escrever “A NAMORADA DO PEQUENO PRÍNCIPE”, só tinha lido seu livro mais famoso. Sabia que ele tinha escrito outros, mas nunca me interessei. Grande erro!
“Correio Sul” já mostra a genialidade com as letras de Saint-Exupéry, que transforma uma história trágica de amor em uma peça de beleza espantosa. Livro curto que se lê de um só golpe e que atinge seu objetivo da mesma forma: em um ataque curto e certeiro nas emoções que nos movem.
“Terra dos Homens”, além de relatar de forma muito crua e realística os dias que o autor sobreviveu no deserto, juntamente com seu copiloto, nos apresenta todo o universo dos aviadores que desbravaram os céus em aviõezinhos parecidos a aeronaves de brinquedo e criaram rotas até hoje utilizadas pelos voos comerciais. A descrição da quase morte, por desidratação, do padecimento na aridez do deserto e as sensações experimentadas pela ingestão do “néctar da vida”, depois de tantos dias, me apresentaram alguns dos capítulos mais belos que já li até o momento.
Estes livros me mostraram um Saint-Exupéry muito além d’O Pequeno Príncipe e me deixaram com a sensação de que ainda conheço pouco deste maravilhoso escritor.
Na fila de leitura outra obra prima: “Voo Noturno”.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Livro: OS FANZINEIROS

OS FANZINEIROS - BRENO FERNANDES

Lendo apenas a sinopse, tem-se a impressão de que "Os Fanzineiros (Editora FTD - 2018)é uma aventura infanto-juvenil que se passa numa fictícia cidade baiana.
Bom... É e não é!
Apesar do contexto ser bem este e, de quebra situar esta obra de Breno Fernandes num universo compartilhado com mestres desse tipo de literatura, este livro é muito mais que isso.
Partindo do fio condutor, que é a criação de um Fanzine por dois adolescentes (logo outros dois se juntarão a eles), o autor cria um universo completamente verossímil e deliciosamente narrado que nos remete tanto a nossa própria adolescência,com os primeiros amores, as inseguranças, os conflitos de amizade e família, quanto na realidade vivida pelos adolescentes da era virtual, tão afetada pelo bullyng, pelas mídias sociais, pela televisão e - principalmente! - pelas fake news que assolam o nosso cotidiano e que muitas vezes nos fazem duvidar sobre o que é certo e o que é errado, o que é real e o que é invenção.
Lê-se "Os Fanzineiros" com avidez e contentamento. Afinal não é todo dia que encontramos este tipo de literatura, com qualidade narrativa e diversão dosadas na medida certa.
Só resta esperar pelas novas obras de Breno (MENDAX, obra anterior do autor, já está na minha estante, clamando por leitura!).
Ahhhh... O cavalinho alado da foto é só para lembrar do projeto "CAVALOS ALADOS" (mais informações entrem em contato)

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

NO FLOW

NO FLOW
Para: MARÉ, LEVI, e seus flamejantes genitores surfistas

Cansei de ler o mundo
Comecei a ler o mar
Aprendi que lá no fundo
O bom mesmo é cantar
Cantar pra ver o mundo
No profundo azul do mar
Cantar pra ver o mundo
No profundo azul do mar.

Maré alta, maré baixa, maré!
Onda que vai, maré que vem,
Onda que vem, maré que sai,
Vento norte, vento sul, maral, terral.
Lá vem swel, onda boa, água com sal.
Swel entrando, crista da onda, fora todo mal.
Eu to de boa,
Eu to na onda,
Eu to de maré.

Me leva, me leva, me leva,
Me leva nesta onda,
Que eu to de boa,
Eu to de maré.

Me leva, me leva, me leva
Me leva pras ondas do mar
Levi escala a onda
Que a Maré deixou passar.

Levi passou surfando
Todo o dia
Rasgada, floter, tubo,
Desce no pico, escala a espuma,
Dá um aéreo,
Radical.
Vem onda da série,
Tá maneiro,
Vai entrar swell.

O mar tá grande,
E arrasta a saia
De renda nos pés de Levi.
Vem onda grande
Sopra o maral
Cai levanta,
Beija a flor da Maré.

O surfe de Levi é pra todo dia
Se não dá onda ali
Ele surfa a maresia.
Um beija-flor beijando
A flor da Maré
É Levi pegando onda
Num lugar qualquer.

Cansei de ler o mundo
Comecei a ler o mar
Aprendi que lá no fundo
O bom mesmo é cantar
Cantar pra ver o mundo
No profundo azul do mar
Cantar pra ver o mundo
No profundo azul do mar.

Levi olhou pro mar e pensou
Tá entrando um swel
Se jogou na onda
No flow, no flow
Dá uma rasgada, cutback, mostra a quilha
No flow, no flow
Escala a onda, acelera, vai voar, vai voar
Voou!
Base trocada, goofy, regular,
360, 180, mão na borda, vai voar, vai voar
Voou!
Levi escala a onda
Lá vem tubo, acelera, base-lip,
Sumiu total!
Será que vai sair?
No flow, no flow.
Sai na baforada, emenda uma rasgada
Aéreo, finaliza.
No flow, no flow.
No flow, no flow, no flow!

Mergulhei bem lá no fundo
Descobri que sou do mar
Sou Maré eu sou do Mundo
E o meu mundo é o mar.
Sou Maré eu sou do Mundo
E o meu mundo é o mar.

domingo, 24 de dezembro de 2017

CONTO DE NATAL

O MENINO E O NATAL

O menino olhou para o papai Noel, sentado em uma poltrona enorme, no centro comercial. Seu olhar era mais de indiferença que curiosidade. O homem, mesmo notando o desinteresse do garoto, o chamou para perto.
“Não quer tirar uma foto com papai Noel?” Perguntou.
“Não!” Respondeu o menino, de forma taxativa.
“Toda criança gosta de tirar fotos com papai Noel. Posso perguntar porque você não quer?”
“Meu pai me explicou que papai Noel não existe, que esta roupa é como uma fantasia de carnaval que se usa para vender mais coisas no fim do ano e que essa história de voar em renas é invenção dos vendedores de brinquedos.
O pai observava a cena, orgulhoso dos ensinamentos dados ao filho, enquanto o papai Noel fazia uma carinha de tristeza bem teatral, mas logo abria um sorriso e trazia o menino ainda mais para perto.
“ Seu pai tem toda razão. Não há que comprar nenhum presente por obrigação, só por ser natal; não há porque dar abraços mais apertados, só por ser natal; não há que falar com os amigos, com a família, com desconhecidos, só por ser natal; não há que usar esta fantasia, só por ser natal.” Ele fez uma pausa, para constatar a cara de felicidade do pai e a mesma falta de expressão do menino, e continuou: “Entretanto, eu vejo isto tudo – abriu os braços e olhou para cima, para que pai e filho observassem a bela decoração que tinha sido colocada em volta da poltrona, com árvores enfeitadas, neve de algodão, bonecos imitando anões, renas e outros bichos – e penso que o natal foi feito também para nos lembrar que devemos fazer isso tudo, todos os dias do ano, assim todos os dias serão dias de Natal.”
O menino pareceu suavizar a expressão do rosto, enquanto o pai se aproximava, mostrando-se mais interessado na conversa do homem fantasiado.
“Agora, meu amiguinho – papai Noel pegou uma dessas bolas de vidro, com paisagem dentro, e mostrou ao garoto – Está vendo esta árvore aí dentro, esta casinha com chaminé e esta neve no chão?”
“Sim.”
Papai Noel agitou a esfera e as bolinhas de isopor flutuaram e começaram a cair novamente sobre a árvore e a casinha.
“Agora, se fechar os olhos e desejar com todas as suas forças que o natal seja de verdade, verá o papai Noel verdadeiro chegando nesta casinha para deixar seu presente.”
O menino fechou os olhos com força e os abriu depois de alguns segundos. Ficou maravilhado com o que viu. Um pequeno trenó realmente voava entre os flocos de neve e deixava cair uma caixinha pela chaminé da casa. Olhou então para o bom velhinho e pensou que agora sua barba era real, que as bochechas rosadas eram por causa da neve que começou a cair sobre o cenário do centro comercial e que as renas que pastavam em volta o observavam.
O papai Noel sorriu e abriu a mão esquerda, mostrando que ali escondia uma pequena caixa de presente, bem parecida com aquela que o papai Noel da esfera de vidro tinha deixado cair pela chaminé. Ele entregou o presente ao menino.
“Feliz Natal, meu amiguinho!”
O menino, com um largo sorriso, se lançou ao pescoço do bom velhinho, abraçou-o com força e finalmente descobriu a magia do Natal. O pai, sem outra alternativa, também sorriu e bateu uma foto, registrando aquele momento e prometendo que nunca mais diria ao filho que Natal não existe.
FELIZ NATAL A TODOS.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CORAL É VIDA

CORAL É VIDA!


Não pise nos corais!
Eles são um presente da natureza.
São seres vivos e frágeis.
Respeite-os e apenas admire sua beleza.

Não pise nos corais!
Eles parecem pedra, mas não são.
São sensíveis como qualquer ser vivo
E sofrem se você lhes põe a mão.

Tocar nos corais é como
Ferir o coração do oceano.
Respeitá-los é uma obrigação
De todo aquele que se diz “humano”!



sábado, 11 de novembro de 2017

RETRATO FALADO - CATHARINA SULEIMAN

AS ASAS E A RUIVA
Para: Catharina Suleiman

A maré ruiva se agiganta
Não deixa nada impune
Quem quiser que se faça imune
Ao mar vermelho que se agranda.

Pelos, peles, poros, penas...
Fato é que tudo se consuma
Tudo foge, aparece, se esfuma
Enquanto asas são asas apenas.

Mas asas, meu amigo, nunca são asas apenas!


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

RETRATO FALADO - DONA NINA

SIMPLESMENTE NINA

(Para dona Salvelina Martins Airozo)

Quer saber o que me ixtarra seu tanso?
É balico se fazendo de manso.
E se me agarrota a paciência
Mando tudo quanto é ciência
Pro tacho fundo do ranço.

Quer saber o que me intizica?
Babaovo de mamica.
Mas mofa a pomba na balaia
Quem de falatório me faz tocaia
E perde a vida com bobiça.

Meu querido, não me afronte,
Pois viço de guria tenho de monte.
Dijahoje fui na praia,
O mar arredou sua saia,
Reverenciando esta menina
Que será para sempre,
E simplesmente, NINA.


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